Dislexia

DICAS E ESTRATÉGIAS

Recomendações para pais e professores

A par da intervenção de técnicos especializados, pais e professores têm um papel fundamental no desenvolvimento de estratégias para o quotidiano familiar e escolar da criança. Estas estratégias são complementares à terapia implementada pelo técnico, permitindo à criança explorar novas formas de desenvolver as suas capacidades, tanto em contexto de grupo, na escola, como num ambiente mais familiar e individualizado, em casa.

Sugestões para a sala de aula

antes de iniciar uma qualquer tarefa escolar, o professor deve ler o enunciado com a criança, a fim de certificar-se de que esta o compreendeu;
quando a criança fizer erros ao escrever um determinado texto, o professor deve sublinhar apenas o erro e não a palavra toda;
construir um portfólio com os casos especiais de escrita e disponibilizá-lo à criança sempre que esta precisar de um suporte visual;
incentivar a criança a escrever palavras em folhas quadriculadas, com uma letra por quadrícula;
incentivar a criança a treinar a divisão das palavras em sílabas e fonemas;
incentivar a soletrar palavras complexas antes de as escrever;
fazer listas de palavras pertencentes à mesma família (por exemplo, casa, casamento, casebre, etc);
treinar a velocidade de leitura da criança, dando-lhe a ler o mesmo texto ao longo de uma semana e cronometrar o tempo que demora cada leitura. Construir um gráfico que ilustre à criança a sua evolução em termos de velocidade de leitura.
desafiar a criança a escutar uma história e a recontá-la;
ler um texto e sublinhar com a mesma cor as letras que apresentam o mesmo som;
alternar a escrita convencional com escrita em computador, de modo a focalizar a sua atenção na aprendizagem da correspondência letra-som;
Estimular a criança para que ela corrija os seus próprios textos.

Atividades lúdico-pedagógicas para pais e professores

Terapeutas qualificados desenvolvem muitas vezes atividades ou jogos lúdicos que ajudam as crianças a superar as suas dificuldades específicas. Mas há atividades mais simples que pais e professores podem desenvolver com as crianças. Alguns exemplos:

construir as letras do alfabeto com diferentes materiais (plasticina, lã, areia, arame, etc.) permite à criança sentir e integrar a forma das letras, ao mesmo tempo que faz a associação entre o nome da letra e o som que lhe está associado.
descobrir a letra com os olhos vendados, com recurso a letras móveis de contornos bem definidos, permite à criança sentir as diferenças de forma entre as várias letras e ir criando uma imagem mental das mesmas, associando-lhes o seu nome.
descobrir sons de letras nas palavras permite à criança treinar a identificação de sons, sendo uma estratégia particularmente eficaz em crianças com dislexia fonológica. A criança é desafiada a identificar todas as vezes que um determinado som aparece – recorrendo a um apito, ou simplesmente batendo com a mão na mesa – enquanto escuta um texto que lhe é lido em voz alta.
jogos de segmentação fonémica permitem que a criança vá dividindo as palavras que escuta ou lê nos seus sons constituintes (por exemplo, a palavra "pato" ficaria decomposta em “pp”-“á”-“tt”-“u”). Para tornar a tarefa mais divertida, os dois jogadores podem imitar um jogo de ténis em que, por cada som que é dito, é atirada uma bola imaginária.
mímica para representar sons consiste numa estratégia multissensorial que permite à criança aprender a representar sons através de gestos. Numa primeira fase, é acordada entre a criança e o pai/professor a associação entre uma determinada palavra e um som (por exemplo, ao som “sssssss” pode associar-se a palavra “serpente”, que pode ser representada através de um ondular de braço). Posteriormente, a criança é desafiada a ler um pequeno parágrafo ou texto, ao longo do qual deverá representar esse gesto sempre que identificar o referido som. Outros exemplos: ao ouvir o som “zzzz”, a criança poderá imitar uma abelha, ao escutar “ch” deverá fazer o gesto de silêncio, etc.
“tiro ao alvo” às letras é uma estratégia definida para cimentar a aprendizagem da sequência alfabética, os nomes e os sons das letras. O alfabeto é colocado à frente da criança, e esta é desafiada a apontar para a letra certa sempre que escuta o nome da letra ou quando escuta o seu som.
jogos de caça ao erro permitem à criança treinar a identificação de erros. Num texto estrategicamente definido contendo um determinado número de erros relacionados com os sons que se pretende desenvolver com a criança, esta é desafiada a identificá-los e a corrigi-los a todos.
jogos com lengalengas e destrava-línguas permitem à criança desenvolver e otimizar a sua expressão oral, resultando numa melhor compreensão dos sons das letras e das palavras (por exemplo, “nove vezes nove, oitenta e um, sete macacos e tu és um, fora eu que não sou nenhum”; “o rato roeu a rolha do rei da Rússia”).
ditado de número de letras permite desenvolver a visualização mental das palavras. À criança é ditada uma determinada sequência de palavras, em cada uma das quais ela é desafiada a contar o número de letras que contém e anotar esse número.
leitura a par, permite à criança treinar a leitura e interiorizar formas corretas de o fazer, tais como a velocidade adequada, a expressividade, a pontuação, leitura de palavras difíceis, etc. Adultos e crianças podem escolher em conjunto um determinado livro e combinar de que forma vão alternar a leitura em voz alta (cada um lê uma frase/ um parágrafo, etc.).
adivinhar a letra, permite à criança aprender a distinguir diferentes tipos, formas e sons de letras, bem como o seu posicionamento no alfabeto. O adulto pensa numa determinada letra e a criança tem de ir lançando hipóteses sobre as caraterísticas da mesma ("tem uma forma arredondada?", "está no inicio do alfabeto?", "é uma consoante?", "tem dois sons?" etc.). Ganha quem tiver feito menos perguntas para conseguir adivinhar a letra. Como estratégia para evitar que a criança faça adivinhas de forma impulsiva e pouco refletida, só pode responder-se “sim” ou “não”.

Para encontrar a atividade mais apropriada a cada criança, é aconselhável consultar um técnico especializado (psicopedagogo ou psicólogo educacional) que poderá ensinar-lhe estes e outros jogos lúdicos úteis para trabalhar quotidianamente nas dificuldades de aprendizagem da criança com dislexia.




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